sexta-feira, 22 de julho de 2011

O Império Abolicionista (Parte II)

Foi durante o Segundo Império (1840 - 1889) que as diversas leis que proibiram o tráfico de escravos e foram, aos poucos, libertando-os, ganharam forma e corpo. Acontece que D. Pedro II e a Família Imperial não tinham razões para apoiar a escravidão. Os que apoiavam eram os donos de escravos, na maior parte, latifundiários. 

Vejamos alguns fatos curiosos que comprovam o não apoio à escravidão por parte da Família Imperial.

É fato que D. Pedro II não possuía escravos que trabalhassem para ele, preferia o trabalho assalariado, bem como o fazia a Princesa Isabel. Possuía amigos negros, inclusive seu tutor desde a infância, o afro-brasileiro Rafael, veterano da Guerra da Cisplatina (Rafael viria a falecer em 15 de novembro de 1889, com mais de 80 anos, quando soube que o Imperador seria exilado do Brasil). O engenheiro André Rebouças, também negro, autoexilou-se à época da proclamação da república, em solidariedade. Em um período onde era comum o entendimento científico de que existia de fato uma separação racial entre brancos, negros e amarelos, o Imperador sempre demonstrou um profundo ceticismo quanto a tal teoria e nunca se deixou convencer pela tese de diferenciação racial.¹
 
Quando foi declarado maior de idade, aos 14 anos, recebeu de herança 40 escravos e mandou libertar todos.²

[A seguir, trecho do livro "Revivendo o Brasil Império"]
 
O literato e diplomata argentino Hector Varela ouviu do Imperador:
- A escravidão! Acredita o senhor que haja no Brasil algum compatriota que deseje mais ardentemente do que eu a abolição? Nenhum! E os primeiros a saber como eu penso são os que trabalham à frente do belo movimento de emancipação. Alguns me atacam, com marcada injustiça, afirmando que eu retardo a hora, que no entanto será a mais feliz do meu reinado, em que não haja um só escravo em minha Pátria, e que o último desses infelizes seja tão livre quanto eu."³

(...)[Ainda no mesmo livro]
 
Em 1850, quando se discutia a lei de repressão do tráfico de escravos, e se mostrava ao Imperador os perigos a que a lei exporia o trono, D. Pedro II, então com 25 anos, replicou com energia:
- Prefiro perder a coroa a tolerar a continuação do tráfico de escravos.

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Fiquem atentos às próximas postagens... há muito mais a ser dito para desmistificar a ideia de "Império escravista".
 
 
1 - LOEWENSTAMM, Kurt. Imperador D. Pedro II: O Hebraísta no Trono do Brasil. Centauro, 2002.
2 - Loewenstamm, 2002.
3 - XAVIER, Leopoldo Bibiano. Revivendo o Brasil Império. Artpress, São Paulo, 1991.

3 comentários:

  1. Isso q eh uma postagem bem embasada!!! Vc está de parabens viu!!! Me mata de orgulho heheheh

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  2. Comentei ontem, mas pelo visto não chegou. Ultimamente não tenho conseguido com a conta do Google mesmo...

    Enfim, post muito bom. Essa série sobre a abolição me surpreendeu porque pelo menos o que meu prof. de história havia dito, e o também o que está escrito em revistas e jornais, é que a Princesa Isabel apenas assinou a Lei Áurea devido a pressão da Revolução Industrial e a troca de trabalho escravo pelo assalariado para estimular o consumismo. E até mesmo na Wikipedia vi que ela tinha uma preocupação com isso e sabia o que estava em jogo ao assinar a lei.

    Ontem mesmo eu já havia lido todas as postagens do blog, e realmente estão muito boas! :D

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  3. Caro Tronn,

    Obrigado pelos elogios! Tento fazer da melhor forma!

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    Caro Marcos,

    Muito obrigado por ter acompanhado tão avidamente todas as postagens do Blog. Espero que esteja ajudando nas suas reflexões. Continue acompanhando a série de postagens "O Império Abolicionista" que ainda há mais fatos para se surpreender. Só assim percebemos o quanto o que nos ensinam nas escolas e o que é retratado nas mídias são nocivos à História do Brasil.

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